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sábado, julho 7, 2007

Derretidos, quase Líquidos



Foto:Gin2003

Espaço-tempo sem limites
é o tempo que hoje se espalha
- sem rédeas nem amarras -
E que corre,
não marca,
não avisa
nem aguarda...

Sem espelho, não reflete;
sem espanto, não surpreende;
tempos de tempo ausente,
tempos urgentes, que tempos!

Tempo-espaço fluido
é espaço que já não temos
- onde espaço é apartamento? -
E a liberdade foge atônita,
não gruda,
não releva
nem se fixa na alma líquida...

Tempo em que o coração, concreto,
não derrete de sentimento.

Tempo de Espaço ocupado:
ligações que não podem ser completadas
por estarmos fora da área de cobertura das tradições
ou desligados da essência;
quebrados, desfeitos, derretidos de tédio,
ciganos nômades por mundo desfeito,
rarefeito.

Passado não consta do Tempo

Futuro não tem tempo no Espaço

E Hoje, que derreteu de tanto evitar-se?

Quero andar na garupa da bicicleta /
a manga-espada do galho mais baixo /
colher no jardim onze-horas /
viver a vida sem laço.


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Gin.link

domingo, julho 1, 2007

“Só quem sofreu, pode avaliar quem sofreu. Pode se identificar, pode ter o mesmo sentir”.
(Sergio Pimenta)

glsaud2.jpg
Não é um dia muito feliz, porque dias felizes dão a sensação de para-sempre... Não é um dia alegre como sua vida foi, mesmo que cheia de lutas e reveses, porque quando o coração tem que ir se despedindo não pode fazer-de-conta que está colorido, leve, conformado. A morte, ou a sensação dela, nunca, nunca conforta.
Não é um texto baixo-astral, é somente despedida, quieta, sentida, aos pouquinhos. É texto de lembranças e esperança de que sua partida seja leve, abençoada.
"Deus é nosso refúgio e força, socorro e força que não faltam em tempos de aflição..."
Não é que só existam dias tristes e nada alegres, é que você é mais importante neste momento que os dias ou o tempo. Você foi um dia ensolarado, carregado da força da luz, da rapidez das nuvens, do colorido das flores - girassol!
Minha tia querida, estou triste, triste, não quero me despedir.

"(...)O fato é que os fundadores das novas famílias quase não encontram motivos para repetir e transmitir a seus filhos as receitas tradicionais, os ritos das férias ou dos fins de semana, as rotinas de organização, os costumes na relação com parentes e amigos, os valores construídos por gerações. Afinal, por que passar uma manhã toda de domingo preparando um almoço familiar tradicional se é bem mais simples ir a um restaurante, pedir uma refeição entregue em domicílio ou comprar semipronto? Por que recontar aos filhos histórias que habitaram a própria infância se os tempos são tão diferentes e as crianças também? Por que narrar as peripécias de parentes que os mais novos não conhecem? Por que levar os filhos a participar de rituais religiosos que a família preza?

Quando a memória histórica de um grupo familiar não é mantida, quando suas tradições não são transmitidas aos filhos, não são apenas fatos e estilos de vida que não são preservados. Toda uma matriz de identidade daquele grupo, que tem a função de deixar marcas de identificação nas novas gerações, é ignorada." (Rosely Sayão)


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